quarta-feira, 1 de junho de 2011

Mais um fenômeno intrínseco ao capitalismo: o bullying

Ganha força nas escolas campanhas contra o bullying, no entanto, para a compreensão sobre mais este problema, que vivemos nas escolas, temos que entender sua origem, ou seja, conhecer sua gênese é fundamental para apontar políticas. E a primeira constatação é identificar que as escolas reproduzem a ideologia dominante, reproduzem a lógica que se constrói nas relações de produção capitalista. Portanto temos partir da percepção sobre a dinâmica da sociedade em que vivemos, pois esse fenômeno é uma forma de opressão, uma constante, na atual sociedade que busca o lucro e que estimula a competição, que vive da exploração e que alimenta o individualismo.

Vivemos em uma sociedade que se baseia na busca do lucro, o resultado é um processo econômico que precisa criar necessidades para dar conta do excesso produzido, gerando lucros cada vez maiores. Para manter a lucratividade em alta é necessário produzir mercadorias descartáveis, isto é, limitar a quantidade de tempo que este produto vai ser necessário. Esses dois fatores mantêm os lucros gigantescos, na medida em que se cria uma ideologia em que os indivíduos precisam aproximar-se cada vez mais de um padrão social para ser “aceito”.

No entanto, o lucro não reside no resultado, do que se acumulou, com as vendas dos produtos, mas sim no trabalho humano, que produziu determinada mercadoria e que não foi recompensado, o que Marx identificou como mais-valia. É na apropriação da mais-valia por parte dos donos dos meios de produção, que reside o lucro. É o trabalho humano que produz a riqueza e não a venda das mercadorias.

Agora, esta apropriação indevida se mantém através do estímulo a competição, pois a cooperação entre as pessoas vai tencionar esta lógica de apropriação indevida de riqueza, portanto quanto mais competitiva for à sociedade maior será a divisão entre os trabalhadores, contribuindo para a continuidade da exploração.

O bullying, o racismo, a homofobia, o machismo, entre outros fenômenos, são características desta sociedade que se mantém através da opressão de um grupo sobre outro. Em nossa sociedade os setores sociais ricos e ou dominantes são poucos em relação à grande maioria da população trabalhadora, a pirâmide social tem no topo poucos setores, que se mantém porque criam estas falsas ideologias que dividem os trabalhadores e o povo pobre.

A sociedade capitalista criou-se dentro de uma estrutura vertical, onde há os que têm e os que não têm.  Então, os que têm passaram a ser os bons, aqueles que sabem, e a escola reproduz as relações de um sistema social vertical, que não condiz com a conscientização para superação do próprio sistema, se tornando terreno fértil para ideologias e fenômenos nocivos aos trabalhadores e seus filhos.

Portanto, um dos caminhos ao combate para mais esta opressão, o bullying, passa pela construção de um ambiente escolar que não se paute pela competição, onde a cooperação seja estimulada, onde os saberes não sejam só transferidos do alto para baixo e sim construídos em um processo de aprendizagem que envolva todos os segmentos da escola e onde a luta pela estrutura escolar e a valorização dos profissionais seja comum a tod@s. E que a indignação não seja sufocada com a "paz" dos dominantes.




Nenhum comentário:

Postar um comentário