quarta-feira, 20 de outubro de 2010

A ESQUERDA SOCIALISTA E O SEGUNDO TURNO

Polarização entre Dilma e Serra esquenta debate sobre a melhor forma de combater a direita

Eduardo Almeida Neto da Direção Nacional do PSTU e editor do Opinião Socialista

Está havendo uma pressão grande do governo e seus apoiadores no sentido de votar na Dilma “para evitar a volta da direita”. Temos acordo completo com a luta contra a oposição de direita. Somos radicalmente contra a volta da turma do FHC. Os governos do PSDB foram fundamentais para introduzir o neoliberalismo no Brasil, com privatizações e ataques aos direitos dos trabalhadores. Por isso, o PSTU atacou com clareza este partido na TV e teve o programa final da campanha presidencial retirado do ar, a pedido de Serra.

Mas lutar contra a direita não significa votar em Dilma Rousseff. Não podemos adotar a luta unicamente contra Serra, sob pena de capitular à pressão da colaboração de classes praticada pelos governos do PT.

Infelizmente o PSOL acabou cedendo a essa pressão e está defendendo nesse segundo turno o “Não à Serra”, o que significa, na prática, o chamado ao voto em Dilma Rousseff. Os três deputados federais e um dos dois senadores eleitos por esse partido apóiam explicitamente a candidatura Dilma nesse segundo turno. O PCB também se definiu pela mesma posição. Isso, na prática, legitima a falsa polarização entre os dois projetos majoritários da burguesia. Reconhece na candidatura Dilma a expressão da “esquerda” nessas eleições, o que é completamente equivocado.

Tanto Serra quanto Dilma vão atacar os direitos dos trabalhadores

Nessa campanha, a direita – entendida como a representação da grande burguesia –não está representada apenas por Serra, mas também por Dilma. No Brasil, as grandes empresas estão divididas nas eleições. Um setor apóia Serra, o que é mais do que evidente nas empresas de TV e nos principais jornais. Mas a maioria do grande capital, no entanto, que inclui os banqueiros, as multinacionais, os governos imperialistas, apóia política e financeiramente as duas campanhas.

As duas são financiadas pela grande burguesia. A campanha de Dilma arrecadou bem mais que a de Serra, até agora. O dólar se manteve estável nas eleições, estando abaixo de R$ 1,70. Todos lembramos do dólar perto dos R$ 4 nas vésperas das eleições de 2002, quando a burguesia ainda temia o que podia ser o governo Lula. Agora o grande capital confia no PSDB... e no PT.

Votar Dilma ou Serra é manter o plano econômico neoliberal aplicado por FHC e continuado por Lula. É manter bloqueada a reforma agrária, como aconteceu no governo FHC e também no de Lula. É aceitar a ocupação militar do Haiti defendida por Dilma e Serra.

Votar em Serra seria votar junto com FHC, Cesar Maia, Yeda Crusius, velhas figuras da direita desse país. Votar em Dilma seria votar junto com Maluf, Collor, Sarney, Jader Barbalho, outras velhas figuras da mesma direita.

Não existe um “mal menor” nesse segundo turno. Votar em Dilma ou Serra vai fortalecer um deles para atacar com mais força os direitos dos trabalhadores. Um governo do PSDB ou do PT vai atacar duramente os trabalhadores quando a crise econômica internacional chegar novamente ao Brasil. Tanto um como outro já anunciaram sua disposição de aumentar a idade mínima para a aposentadoria. Cada voto dado em Dilma ou Serra é uma força a mais que eles terão para aplicar uma nova reforma da Previdência.

Por vezes, é necessário saber ficar em minoria, quando é necessário. O PSTU defende com clareza o voto nulo nesse segundo turno, e chama os outros partidos de oposição de esquerda socialista a se somarem a essa posição. Essa é a melhor maneira de começar a preparar a luta direta dos trabalhadores contra o novo governo eleito.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Estudantes franceses entram de cabeça na greve geral contra reforma da Previdência

                                                    Mobilizações contra Sarkozy se radicalizam

Da redação do Opinião Socialista.

Manifestação em Marseille

• A França balançou nesse dia 19 de outubro, sexto dia de greve geral desde setembro contra a reforma da Previdência do governo Sarkozy. Segundo as entidades sindicais envolvidas nas mobilizações, algo em torno de 3,5 milhões de franceses foram às ruas em 260 manifestações todo o país protestar contra a medida que aumenta a idade mínima para se aposentar e o tempo de contribuição.

Com as refinarias e boa parte dos portos paralisados, o país já sente os efeitos do desabastecimento, além de ter setores do transporte, como as ferrovias e parte dos serviços aéreos parados. Segundo o jornal Le Monde, 60% dos comboios ferroviários estão paralisados. Os caminhoneiros também aderiram massivamente aos protestos.

Junto a isso, o combativo movimento estudantil francês entrou de cabeça nas mobilizações, paralisando as atividades nas escolas e universidades e enchendo as ruas com centenas de milhares de jovens. Segundo a entidade de estudantes secundaristas FIDL, mais de 1.200 liceus se mobilizaram, parando algo como 850 colégios, um recorde nessa jornada de greves e mobilizações.

Repressão

Após se manter intransigente em relação ao ataque às aposentadorias, o governo do direitista Nicolas Sarkozy elevou o tom contra os manifestantes. Em Lyon e Nanterre (periferia de Paris), a polícia reprimiu brutalmente os manifestantes. ”Essa reforma é essencial. a França se comprometeu a fazer e a França irá implementá-lo”, disse o presidente. Ele afirmou à imprensa que “tomará medidas” contra o desabastecimento, deixando transparecer que deve aumentar a repressão contra as mobilizações.

Posição que foi reforçada pela ministra da Justiça, Michèle Allion-Marie, que prometeu atuar com “firmeza” contra os manifestantes. A reforma faz parte do plano de austeridade adotado pelos governos europeus para conter os déficits provocados pelas políticas de ajuda e subsídios ao mercado financeiro durante a crise desatada em 2008.

Com a explosão do gasto público e o inevitável aparecimento de profundos rombos, os governos agora jogam a crise nas costas dos trabalhadores, promovendo reformas trabalhistas e previdenciárias como forma de reduzir gastos.

Movimento se radicaliza

O governo Sarkozy, aturdido com o aumento e radicalização das manifestações, ao mesmo tempo em que se mostra intransigente com os ataques, já sinaliza possíveis recuos. As mobilizações, porém, só tendem a se radicalizar. Segundo um instituto de pesquisa francês, mais de 70% da população apóiam os protestos.

Não é só o desabastecimento que tira o sono de Sarkozy. A entrada em cena da juventude francesa e a radicalização do movimento trazem de volta as cenas dos protestos protagonizados pelos jovens das periferias de Paris, em 2005. Lembram ainda das manifestações contra a Lei do Primeiro Emprego, dois anos depois.

Além de incomodar o governo, a radicalizada juventude francesa incomoda ainda as direções das burocracias sindicais, que temem um confronto direto com o governo.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Greves contra a reforma da previdência paralisam a França.


Dia 20/10 quarta-feira, entrará em votação a reforma da previdência de Sarkozy que eleva de 60 para 62 anos a idade mínima para aposentadoria, e de 65 para 67 anos para o benefício integral, na pratica ninguém se aposentará com menos de 67 anos.

Os trabalhadores franceses intensificam a luta contra este ataque do governo e já começou a faltar combustível e as filas nos postos são enormes. Os caminhoneiros bloquearam as estradas e depósitos de combustível e as refinarias estão paradas. Navios petroleiros foram impedidos de recarregar e a greve ameaça também o transporte aéreo.

Os trabalhadores franceses do setor de petróleo desafiaram nesta segunda-feira o governo, que exige o retorno ao trabalho para terminar com a falta de combustível, e intensificaram a luta contra o plano do presidente de aumentar o tempo de aposentadoria, além disso, cresce a adesão dos jovens aos protestos dos trabalhadores, numerosas concentrações estudantis por todo o território francês provocaram o fechamento de centenas de institutos e enfrentamentos com a Polícia em Lille e Roubaix (norte), Mulhouse e Rennes (noroeste), Lyon (leste) e Marselha (sul), e nos arredores de Paris.

A união de trabalhadores e estudantes já mostrou sua força na França no “Maio de 68”, movimento impulsionado por estudantes, onde os trabalhadores denunciavam à exploração do sistema capitalista e os estudantes a truculência do governo, os mesmos componentes que tencionam o movimento atual.





Todo apoio à luta dos trabalhadores e estudantes franceses!

domingo, 17 de outubro de 2010

O PV declara: não está a venda, só para aluguel!

A candidatura da Marina do Partido Verde foi uma invenção do Serra, que deu certo, tirou votos da Dilma, e agora o PV define sua posição para o segundo turno, não definindo nada, e dá o recado para quem ainda não entendeu: o PV não é para venda, só para aluguel.

Segue trecho de matéria da Folha de São Paulo da antevéspera das eleições:

O virtual candidato ao palácio da Alvorada pelo PSDB, José Serra, governador de São Paulo, usará o PV (Partido Verde) como legenda de aluguel para lançar a candidatura de Marina Silva (PT) e ex-ministra do governo Lula com o objetivo de tentar barrar o crescimento da candidata do PT, Dilma Rousseff.

As lideranças do PV, como sempre, se deixarão seduzir pelo encantamento do jogo político em detrimento do ideal partidário de sua militância.”

Segue matéria da Folha de São Paulo.

“Uma investida do governador José Serra (PSDB) pesou para a opção do PV pela candidatura própria à Presidência no ano que vem. Com potencial de abalo sobre a campanha da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), a ideia de candidatura da senadora Marina Silva (PT-AC) à sucessão presidencial teve também origem no flerte de tucanos e democratas com o PV.

Dividido, com uma cadeira no ministério do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outra no governo Serra, o PV teme a deflagração de um racha. Daí, a opção pela candidatura.

Presidente do PV do Rio e um dos articuladores do acordo pelo qual Marina deixaria o PT para concorrer à Presidência, o vereador Alfredo Sirkis admite que, além do interesse de registrar a marca do partido na disputa, o risco de implosão foi levado em conta.

“Uma coisa é administrar divergências por 15 dias [no segundo turno]. Outra é um ano de pancadaria”, reconheceu.

Serra -que tem o secretário municipal Eduardo Jorge entre os principais aliados- intensificou a ofensiva sobre o PV neste ano, ao acomodar o partido na Secretaria de Ação Social. Ele insiste para que Fernando Gabeira seja seu candidato ao governo do Rio.

Dizendo não ter “tanta certeza de que a candidatura dela seja ruim para Serra”, Gabeira se reúne hoje com Marina.

Ontem, Marina afirmou que está avaliando a proposta do PV, mas que não irá prolongar o período de análise. Em São Paulo, ela criticou ministérios que impuseram dificuldades a ações ambientais durante sua gestão no Meio Ambiente. Ela ressaltou que leva em consideração o fato de nenhum partido ver a questão como estratégica -inclusive o PT.

O PV é um partido de aluguel, faz parte das agremiações políticas que se firmam e se constroem para servir para ajudar outro partido nas eleições, tirando votos ou acusando e caluniando determinado partido, para não desgastar o partido que esta apoiando. E que tem na sua direção o Zequinha Sarnei, filho do Sarnei.

Um partido de legenda de aluguel é assim, procura crescer visando colocação nos governos, busca cargos e dinheiro.



A burguesia e seus poetas!

Participando de uma atividade da escola Padre Nunes, na sexta-feira, percebi que o distanciamento, de parte, da elite do processo eleitoral é estratégico. A atividade foi para ouvir um autor sobre a reedição de seu livro.

Inicialmente o mesmo lembrou que um artigo seu, publicado em uma revista famosa,  provocou a ira do último presidente militar, precipitando inclusive uma possível renuncia, o que não ocorreu, claro que as razões que mantiveram até o fim o presidente general, Figueiredo, foram outras.

O autor se referiu a sua experiência de vida e suas viagens, até ai tudo bem, mas quando   avaliou o cenário político atual demonstrou um estratégico distanciamento, a frase sobre o segundo turno foi: “... temos duas candidaturas progressistas, uma ex-guerrilheira e um ex-exilado político...”, para ele quem ganhar fará um governo progressista.

Retirando a hipótese de que não estava sutilmente apoiando Serra, pois a atividade foi patrocinada pela Caixa Federal, controlada pelo governo Dilma, o autor não esta fazendo a leitura correta da realidade. Uma razão é de que sua sobrevivência sempre esteve garantida, independente do governo de plantão, ou seja, o autor pertence à classe que é economicamente favorecida e que se mantém distante dos principais problemas sociais, assim sua avaliação sobre as alternativas eleitorais são superficiais e não se aproximam da vida real.

Outra razão, menos provável, é que os poetas fazem a leitura da vida mais romântica, suave e desprovida de critica, é mais contemplativa sua avaliação, como alguém que está assistindo um filme e depois vai opinar a respeito. Ora negar as contradições sociais é fingir desconhecer a realidade e manter conscientemente o abismo social. Mas isso é mais uma estratégia burguesa, ou seja, ter seus eruditos sempre prontos a confundir a exploração que mantém sua fartura.

É obvio que o Serra é o principal representante da elite, mas a Dilma não fica atrás, as duas candidaturas representam a continuidade de um sistema excludente, ganancioso e opressor, o capitalismo. Dilma ou Serra serão “progressivos”? Pode ser, mas não para a população pobre, e sim para os ricos, pois garantirão a manutenção dos privilégios da classe social do autor, a burguesia.
  

sábado, 16 de outubro de 2010

A DISPOSIÇÃO PARA LUTAR SAIU FORTALECIDA DA CAMPANHA!

Muito obrigado pelos 2.940 votos e pelas centenas de pessoas que nos ajudaram espontâneamente na campanha do PSTU.

Agradeço, em meu nome e do PSTU, a você colega que pediu voto para seus familiares e amigos, também aos estudantes que apresentaram o Professor Manoel como alternativa eleitoral e aos demais apoiadores de Gravataí. Muito temos que fazer, mas agora com ânimo redobrado pelos milhares de votos e apoiadores que conquistamos!

Nossa campanha foi concentrada em Gravataí e fomos recompensados pelo resultado que obtivemos dentro de um cenário político geral pouco favorável e da competição completamente desigual que enfrentamos das máquinas eleitorais milionárias dos outros partidos. Fazer 1% dos votos em Gravataí é algo que “não tem preço”. Além da ótima votação que recebi a companheira Vera Guasso, candidato ao Senado fez 56.855 votos dos quais 1.980 em Gravataí, o que muito nos orgulha e mostra o crescimento do PSTU em nossa cidade.

Seu voto e apoio fortaleceu nossa disposição de continuar na defesa dos interesses da classe trabalhadora e na luta por uma escola pública de qualidade.

VOTAÇÃO DO PROFESSOR MANOEL FORTALECE UMA ALTERNATIVA POLÍTICA DIFERENTE EM GRAVATAÍ.

Nosso partido é diferente dos demais. Não pagamos ninguém para fazer política. Nossas idéias e propostas são defendidas por quem acredita nelas. Não pegamos dinheiro de empresários para fazer campanha eleitoral, para não ficar com o rabo preso com ninguém. Nossos candidatos são trabalhadores que participam das lutas de suas categorias, portanto foram testados e estão em sintonia com as necessidades dos trabalhadores e da juventude.

E o que também nos diferencia e que mantém esta sintonia é o combate aos privilégios, nossos candidatos continuarão depois de eleitos com os mesmos salários de antes, não mudaremos nosso padrão de vida, continuaremos com as mesmas condições materiais mantendo portanto a mesma consciência política.

Este é o PSTU, um partido que você vai ver nas lutas e nas ruas, seu voto fortaleceu nossa organização, que está aberta para receber sugestões criticas, venha conversar com a gente.

Venha ser um militante socilaista, entra para o PSTU. 

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Mais um motivo para anular o voto!

Mais um motivo para anular o voto foi à visita de Serra ao estado, pois o candidato do PSDB veio ao estado e quer o apoio do PMDB. Na reta final das eleições os candidatos, a presidência do país, procuram fechar alianças garantindo mais votos e apoio de outros partidos. Não seria estranho o PSDB conversar com o PMDB, aliás, o PMDB, não ficou de fora de nenhum governo nacional até hoje, e, além disso, estes partidos estão do mesmo lado, ou seja, defendem os interesses dos poderosos deste país.
O que precisa de explicação é o fato do PSDB querer apoio do PMDB que tem o vice na chapa do PT. Michel Temer do PMDB é o vice da Dilma, que, aliás, muito estranho nem apareceu na campanha.

As lideranças dizem que o PMDB está dividido, uma banda vai apoiar PSDB e outra o PT, esta estratégia é idêntica aos financiadores das campanhas milionárias, ou seja, os bancos e empresas despejaram milhões nas campanhas do PT e PSDB, um pouco mais para Dilma, até uma forma de agradecer os lucros fabulosos atingidos no governo Lula, só os bancos lucraram R$ 170 bilhões e as empresas quadruplicaram seus lucros. Dessa forma garantem benesses de quem ganhar as eleições, apostam forte, pois sabem que terão garantido o retorno de seus investimentos.
Na verdade, estranha seria outra estratégia do PMDB, pois apoiando as duas candidaturas garantem uma fatia nos cargos, loteamento de ministérios e em todos os  escalões dos serviços públicos.

Com Dilma ou Serra, teremos o PMDB no governo, apoiando os ataques aos trabalhadores, essa é mais uma razão para anular o voto, o próximo governo terá em vários ministérios os insaciáveis do PMDB.
Como nunca antes na História deste país teremos os maiores assaltos aos cofres públicos, será estranho se não for assim.